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Junho fechou e produção de aço resiste, consumo cai 11%: por que a sucata ferrosa não acompanha esse movimento automaticamente
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Junho fechou e produção de aço resiste, consumo cai 11%: por que a sucata ferrosa não acompanha esse movimento automaticamente

Junho fechou com 2,837 milhões de toneladas de aço bruto, mas vendas internas, laminados e consumo recuaram. Para a sucata ferrosa, o cenário pede cautela: estoques, frete, qualidade e região podem pesar mais que o dado nacional isolado.

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Leandro Rodrigues (Sucatas.com)

Publicado em 30 de julho de 2026 Atualizado em 30/07/2026
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Menos consumo significa automaticamente menos demanda por sucata?

Se o consumo de aço caiu 11% em junho, a sucata ferrosa também deveria perder demanda e preço na mesma proporção? A resposta mais segura é não. O número é relevante, mas não funciona como uma ordem automática para o mercado de sucata.

O preço pago no pátio e o ritmo de compra das usinas dependem de uma combinação mais ampla: programação de produção, tipo de forno, composição da carga metálica, estoques, paradas de manutenção, qualidade do lote, custo do frete, oferta regional e estratégia comercial de cada comprador. O indicador nacional ajuda a enxergar a direção geral, mas não substitui a leitura local.

Os dados de junho de 2026 mostram justamente essa complexidade. A produção de aço bruto praticamente não mudou em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os produtos laminados, as vendas internas e o consumo aparente recuaram. Em outras palavras: as usinas produziram volume semelhante de aço bruto, mas o mercado doméstico absorveu menos produtos acabados.

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Junho trouxe um retrato de duas velocidades

Segundo a Estatística Mensal nº 135 do Instituto Aço Brasil, a produção brasileira de aço bruto alcançou 2,837 milhões de toneladas em junho, alta de apenas 0,1% sobre junho de 2025. A estabilidade do aço bruto contrasta com a produção de laminados, que caiu 8%, para 1,832 milhão de toneladas.

O recuo foi mais intenso nos laminados planos, usados em aplicações como chapas e bobinas: a produção caiu 12,8%, para 1,008 milhão de toneladas. Nos laminados longos, categoria que reúne produtos como barras, perfis e vergalhões, a queda foi menor, de 1,2%, para 824 mil toneladas.

Do lado comercial, as vendas internas somaram 1,772 milhão de toneladas, 5% abaixo do ano anterior. O consumo aparente — indicador que combina vendas internas e comércio exterior para estimar o volume absorvido pelo mercado brasileiro — caiu 11%, para 2,156 milhões de toneladas.

No acumulado de janeiro a junho, a produção de aço bruto recuou 1,5%, para 16,259 milhões de toneladas. O consumo aparente caiu 5,3%, para 12,925 milhões. Portanto, a fraqueza não está restrita a um único mês, embora junho tenha ampliado o contraste entre produção e demanda interna.

JUNHO DE 2026 EM NÚMEROS

Aço bruto: 2,837 milhões t (+0,1%) | Laminados: 1,832 milhão t (-8,0%) | Vendas internas: 1,772 milhão t (-5,0%) | Consumo aparente: 2,156 milhões t (-11,0%) | Importações totais: 476 mil t (-20,1%) | Exportações totais: 912 mil t (-14,8%). Fonte: Instituto Aço Brasil.

Planos resistem mais; longos concentram a pressão

Quando os dados são separados por tipo de produto, o quadro fica ainda mais útil para a sucata ferrosa. As vendas internas de laminados planos ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,4%, enquanto as vendas de longos recuaram 12,4%. No consumo aparente, os planos caíram 8,2% e os longos, 15,7%.

A análise publicada pelo Safra em 22 de julho também destacou maior resiliência dos planos e desempenho mais fraco dos longos. Essa diferença importa porque parte relevante das usinas semi-integradas e das aciarias elétricas está associada à produção de aços longos, embora o mercado brasileiro tenha configurações variadas e não seja correto transformar essa relação em regra universal.

Para sucateiros e compradores, o sinal prático é que o comportamento pode divergir por perfil de usina e região. Uma operação mais exposta a longos pode ajustar programação, estoque ou compras de carga metálica de forma diferente de uma produtora de planos. A média nacional, sozinha, não mostra essas decisões.

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O dado mais importante para a sucata não é apenas a produção total

A produção de aço bruto informa quanto aço líquido foi produzido, mas a demanda por sucata depende também da rota utilizada. O próprio Instituto Aço Brasil explica que as aciarias a oxigênio e as aciarias elétricas podem usar sucata; nas usinas semi-integradas, a sucata metálica adquirida de terceiros é uma das principais cargas transformadas em aço.

A World Steel Association reforça essa diferença: o forno elétrico a arco pode operar com carga formada integralmente por aço reciclado, enquanto a rota de alto-forno e conversor a oxigênio também usa sucata, porém em proporção menor.

Em junho, a produção pela aciaria elétrica subiu 1,1%, para 655 mil toneladas, enquanto a produção pelas rotas a oxigênio e EOF caiu 0,2%, para 2,183 milhões de toneladas, segundo o Aço Brasil. Esse dado impede uma conclusão simplista: mesmo com o consumo doméstico mais fraco, a rota mais intensiva em sucata não recuou no comparativo anual daquele mês.

Isso não garante aumento de compras nem sustentação de preços. A usina pode consumir estoque já disponível, alterar a mistura entre sucata, gusa e outros metálicos, antecipar ou adiar manutenção e mudar especificações de carga. Ainda assim, o dado da aciaria elétrica é mais próximo da dinâmica da sucata do que observar apenas o consumo aparente de produtos acabados.

Por que o preço da sucata pode reagir de formas diferentes

O primeiro fator é o estoque. Uma usina pode manter a produção por algum tempo usando material já comprado. Em outro momento, pode reduzir o estoque e voltar ao mercado com maior intensidade, mesmo sem melhora imediata do consumo final.

O segundo é a qualidade do lote. Sucata preparada, separada, com baixa contaminação, densidade adequada e composição mais previsível pode ter demanda diferente de material misto, leve, oxidado ou com alto custo de processamento. Chaparia, cavaco, ferro fundido, sucata pesada e sucata miúda não são produtos equivalentes.

O terceiro é a região. A produção de aço bruto caiu 3,5% em Minas Gerais em junho, mas cresceu 4,1% no Rio de Janeiro e 5,7% em São Paulo. Esses números não representam diretamente compras de sucata em cada estado, porém mostram que a estabilidade nacional esconde movimentos regionais distintos.

O quarto é a logística. Frete, distância, disponibilidade de caminhão, tempo de carga, exigência de documentação e custo de beneficiamento podem mudar o valor líquido do lote. Em mercados com grande distância entre gerador, beneficiador e consumidor, uma referência nacional perde precisão rapidamente.

O quinto é a estratégia de compra. Usinas e fundições podem alterar preços, prazos e especificações para atrair ou conter determinados materiais. Por isso, duas empresas na mesma semana podem transmitir sinais diferentes sem que uma delas esteja necessariamente “errada”.

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Confiança piora e reforça a leitura de cautela

O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) caiu 2,2 pontos em julho, para 45,6 pontos, segundo relatório publicado pelo Instituto Aço Brasil em 17 de julho. Foi a segunda queda consecutiva e o menor nível desde dezembro de 2025.

Como valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, o resultado sugere maior cautela entre os dirigentes do setor. A piora veio principalmente das expectativas para os seis meses seguintes, que recuaram para 45,7 pontos. O indicador não mede diretamente preço de sucata ou volume de compra, mas ajuda a compreender o ambiente em que decisões de estoque, produção e investimento são tomadas.

Exportações exigem uma ressalva importante

As exportações totais de junho somaram 912 mil toneladas, queda de 14,8% em volume, enquanto as importações caíram 20,1%, para 476 mil toneladas. A redução das importações pode aliviar parte da pressão competitiva sobre o aço produzido no país, mas não elimina a fraqueza do consumo doméstico.

O próprio Aço Brasil advertiu que os dados de exportação de junho incluem operações com embarque antecipado, que podem registrar volumes superiores ao efetivamente exportado. A entidade informou que correções poderão aparecer nas próximas divulgações do comércio exterior. Por isso, qualquer conclusão baseada nas exportações deve permanecer provisória.

O que acompanhar nas próximas semanas

O primeiro sinal será a produção por processo. Se a aciaria elétrica mantiver ritmo superior ao ano anterior, a demanda por carga metálica pode continuar mais firme em determinadas plantas, mesmo com o consumo aparente pressionado.

O segundo será o comportamento dos laminados longos. Uma recuperação de vendas e consumo nessa categoria poderia melhorar o ambiente para usinas ligadas à construção e a outros mercados consumidores de longos. Uma nova queda ampliaria o sinal de cautela.

Também será necessário observar revisões das exportações, penetração de importados, paradas de manutenção, estoques e movimentos regionais de compra. Nenhum desses elementos, isoladamente, forma o preço final da sucata; juntos, eles ajudam a explicar por que o mercado muda de forma desigual.

Como transformar os dados em decisão prática

Para quem vende, o melhor uso desses indicadores não é tentar prever uma alta ou queda automática. É preparar o lote, registrar peso e qualidade, comparar compradores, calcular o frete e confirmar a condição comercial válida para a sua região.

Para quem compra, o dado industrial deve entrar junto com necessidade real de carga, estoque, capacidade de processamento, especificação do forno e custo logístico. Um número nacional pode justificar uma pergunta, mas não substitui a conferência operacional.

A leitura mais responsável de junho é esta: a produção brasileira de aço resistiu, mas o mercado doméstico perdeu força. Para a sucata ferrosa, isso sinaliza seletividade, diferenças entre regiões e maior importância dos fundamentos locais — não uma queda automática e uniforme de preço.

CONSULTE COM CRITÉRIO

A Tabela de Preços Sucatas.com pode ser usada como referência de comparação. Os valores variam por região, qualidade, volume, logística, prazo de pagamento e momento do mercado. O Sucatas.com não compra, não vende, não intermedeia negociações e não garante preço ou resultado comercial.

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O QUE ISSO MUDA NA PRÁTICA PARA O SETOR?

PÚBLICO - APLICAÇÃO PRÁTICA

  • Vendedores e geradores

Evitar reduzir ou elevar expectativa de preço apenas com base no consumo nacional. Separar o material, documentar qualidade, calcular frete e consultar mais de um comprador.

  • Compradores e sucateiros

Revisar estoque, giro, especificações e programação dos clientes. A pressão pode ser maior em materiais ligados a operações expostas a longos ou a regiões com menor atividade.

  • Siderúrgicas e fundições

A leitura deve combinar processo produtivo, mix de carga metálica, estoque, manutenção, carteira de pedidos e custo de energia/logística.

  • Beneficiadores

Qualidade e densidade ganham importância em ambiente seletivo. Corte, prensagem, limpeza e segregação podem reduzir custo industrial e melhorar a competitividade do lote.

  • Transportadores

Frete pode decidir a viabilidade de uma negociação. Distância, tempo de espera, equipamento e retorno de carga devem entrar no preço líquido.

Usar valores como referência, nunca como preço oficial ou promessa. Confirmar condições locais antes de negociar.

Pesquisar compradores, fundições, siderúrgicas, beneficiadores e transportadores por segmento e localização; publicar oportunidades com descrição objetiva e sem promessa de fechamento.


FONTES CITADAS NESTA MATÉRIA

  • Instituto Aço Brasil — Estatística Mensal nº 135 (dados de junho de 2026)

Tipo: Fonte primária; relatório estatístico setorial | Publicação: Julho de 2026 | Acesso: 30/07/2026

Sustenta: Produção de aço bruto e laminados; vendas internas; consumo aparente; importações; exportações; produção por processo; dados regionais; ressalvas de revisão.

Link: https://www.acobrasil.org.br/site/wp-content/uploads/2026/07/AcoBrasil_EM_Junho_2026-1.pdf

  • Instituto Aço Brasil — Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA)

Tipo: Fonte primária; indicador de confiança | Publicação: 17/07/2026 | Acesso: 30/07/2026

Sustenta: ICIA de 45,6 pontos; segunda queda seguida; menor nível desde dezembro de 2025; recuo das expectativas.

Link: https://www.acobrasil.org.br/site/wp-content/uploads/2026/07/07_ICIA-julho-de-2026-v2.pdf

  • Instituto Aço Brasil — Processo produtivo

Tipo: Fonte primária institucional; explicação técnica | Publicação: Página institucional sem data destacada | Acesso: 30/07/2026

Sustenta: Diferença entre usinas integradas e semi-integradas; uso de sucata em aciarias a oxigênio e elétricas.

Link: https://www.acobrasil.org.br/site/processo-siderurgico/

  • World Steel Association — What is steel?

Tipo: Fonte primária internacional do setor; explicação técnica | Publicação: Página institucional atualizada continuamente | Acesso: 30/07/2026

Sustenta: Todas as rotas podem usar sucata; forno elétrico a arco pode operar com carga integral de aço reciclado; rota BF-BOF usa menor proporção.

Link: https://worldsteel.org/about-steel/what-is-steel/

  • O Especialista / Banco Safra — “Mercado de aço mostra melhora em produtos planos, mas demanda segue fraca”

Tipo: Fonte secundária especializada; análise de mercado | Publicação: 22/07/2026 | Acesso: 30/07/2026

Sustenta: Interpretação de maior resiliência dos planos, fraqueza dos longos e limitação de reajustes em ambiente de consumo doméstico fraco.

Link: https://oespecialista.safra.com.br/analise/aco-brasil-junho-2026/

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Leandro Rodrigues (Sucatas.com)

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